Director: João Carlos Vieira
Quarta-feira, 24 de Maio de 2017
2017-05-10 15:34
Ricardo Araújo Pereira na próxima sessão de Livros Proibídos em Oeiras

O humorista e escritor Ricardo Araújo Pereira é o convidado da próxima sessão do ciclo de conversas “Livros Proibidos” dedicada à obra O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Este encontro, moderado por Nicolau Santos, tem entrada livre, e está marcado para o dia 24 de maio, às 21h30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras.

O Nome da Rosa, publicado em 1980, é o primeiro mais célebre romance de Umberto Eco e reúne todos os temas que faziam e continuaram a fazer parte do universo de interesses e investigação do nosso autor como semiótica, religião, linguagem, história medieval, Europa, entre outros.

Em forma de romance policial, o enredo situa-se em 1327, século XIV, na Itália, numa abadia isolada do mundo e tendo com protagonista um monge beneditino e o seu ajudante. O mistério vai-se desenrolando em torno de uma série de mortes inexplicáveis que, afinal, estão relacionadas com a leitura de um livro proibido.

Um enredo que retrata uma determinada conceção do mundo e do saber, em que as bibliotecas, como reservatórios do saber e lugares da preservação da memória, têm um papel preponderante.

Durante a Idade Média as Bibliotecas eram lugar escondidos, labirínticos, vedados ao olhar do cidadão comum, normalmente ligadas às instituições religiosas como Abadias ou Mosteiros. Os livros que neles existiam estavam apenas acessíveis ao olhar do religioso, do bibliotecário e do seu auxiliar.

A Biblioteca descrita no romance O nome da rosa, de Umberto Eco apresenta-se-nos como símbolo de uma Igreja conservadora, mestra desconfiada e receosa que obstrui o conhecimento de determinadas doutrinas e que pretende impedir qualquer progresso intelectual e material, com o objetivo de manter o seu domínio sobre o mundo.

A mente que rege a biblioteca-labirinto da Abadia transforma-a “num lugar onde os segredos permanecem encobertos” e não um meio para revelar os segredos da natureza e da História tendo em vista o bem-estar material ou natural da humanidade.

O livro proibido deste enredo relatado por Eco é a Poética de Aristóteles, mais concretamente, o segundo livro dedicado à comédia e ao riso. A razão pela qual esta obra é selecionada não tão por ser alvo de censura, mas porque apresenta uma caracterização de corpo e de saber própria da Idade Média:

O corpo e saber contido, proibido, mortificado e paradoxal sob o domínio da instituição religiosa. Ideia de culpa, de perversão, necessitando ser dominado e purificado através da punição. A interdição do riso porque “Deus não ri”.

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